[RH Pra Você] O impacto ético da liderança consciente e o legado

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Pela primeira vez na vida, não consigo torcer para o Brasil.

Quem me conhece sabe o quanto essa frase custa. Cresci com o futebol. Me emocionei com ele. Ele fez parte da minha história.

Mas desta vez não consigo. E preciso explicar o porquê.

Uma das dimensões mais importantes do método de liderança consciente que desenvolvi ao longo de mais de duas décadas é a do legado. A quarta dimensão parte de uma premissa simples e exigente: toda liderança deixa marcas. Nas pessoas, nas organizações, na sociedade. E a pergunta que um líder consciente precisa aprender a fazer não é apenas “que resultado eu entreguei?”, mas “que rastro eu deixei enquanto entregava?”

Com efeito, essa pergunta mudou a forma como eu enxergo muita coisa. Inclusive o futebol.

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Responsabilidade e influência em escala no cenário atual

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O que estamos vendo hoje no esporte mais popular do Brasil é, na minha leitura, um dos exemplos mais eloquentes de liderança irresponsável em escala. Times, ídolos e federações acumularam ao longo de décadas um ativo extraordinário: paixão popular, identificação coletiva e confiança de gerações. Um poder de influência que pouquíssimas instituições conseguem alcançar.

E esse poder foi colocado a serviço das bets.

Infelizmente, este é um mercado construído sobre compulsão, ansiedade e destruição silenciosa de famílias. Um mecanismo que cresce na exata proporção do adoecimento emocional e financeiro das pessoas. E que encontrou no futebol, em seus ídolos e na paixão popular, a plataforma perfeita para se expandir.

O futebol deixou de ser o produto. Virou embalagem.

Isso me interessa profundamente como estudioso de liderança porque reforça algo que tenho trazido em meu trabalho: influência sem consciência de impacto não é liderança. É risco. Para as pessoas, organizações e sociedade. 

Países com maior responsabilidade social já restringiram fortemente esse mercado. Por outro lado, o Brasil, com uma regulamentação ainda frágil, segue tratando o problema de forma superficial. E o futebol, que já representou superação, disciplina e orgulho coletivo, segue emprestando sua imagem a uma indústria que lucra com vulnerabilidade.

Para mim, essa é a provocação central que esse cenário traz para qualquer líder.

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O rastro do líder e a busca pelo verdadeiro legado

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Pra que serve o poder que você acumulou? Para que serve a reputação, a credibilidade, a audiência que você construiu ao longo de anos? Qual é o rastro que a sua influência está deixando nas pessoas que te seguem?

Portanto, o resultado de curto prazo não pode estar acima do legado. Nunca deveria estar. E por isso, desta vez, me perdoem os compatriotas, eu não consigo torcer.

Aspiro que esse texto sirva como um alerta. Para que cada líder, ao ler isso, olhe para a própria trajetória e se pergunte:

  • A vida das pessoas melhorou ou piorou depois da sua passagem?
  • As organizações ficaram mais ou menos saudáveis?
  • E a sociedade, no fim das contas, melhorou ou piorou depois que você passou por ela?

Essas perguntas não têm resposta fácil. Mas precisam ser feitas.

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Publicado originalmente em: https://rhpravoce.com.br/colab/impacto-etico-da-lideranca-consciente

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