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Será que a próxima revolução será humana?
Essa foi a pergunta que deu nome ao CONCARH deste ano. E, de fato, voltei para casa com a impressão de que ela talvez seja uma das mais importantes que podemos fazer neste momento.
Afinal, passamos os últimos anos fascinados pelas possibilidades da inteligência artificial. Produtividade, automação, agentes inteligentes, velocidade de transformação que parece aumentar a cada semana.
Mas, em contrapartida, existe uma pergunta que tem recebido muito menos atenção do que merece: o que está acontecendo com a inteligência humana enquanto tudo isso acontece?
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O dilema do desenvolvimento humano frente à tecnologia
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A questão não é tecnológica. Afinal, a tecnologia continuará avançando. A questão real é outra: seremos capazes de desenvolver nossa consciência na mesma velocidade em que desenvolvemos nossas ferramentas?
Foi essa, aliás, a provocação que encontrei repetidas vezes ao longo do congresso. Em palestras diferentes, com especialistas de áreas completamente distintas, aparecia a mesma preocupação, ainda que com palavras diferentes. Em síntese, estamos perdendo capacidades que sempre distinguiram bons líderes: a habilidade de sustentar atenção, de pensar profundamente sobre problemas complexos, de escutar sem interromper mentalmente a outra pessoa, de construir conexões humanas profundas e significativas.
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A disputa digital pela atenção e o impacto no trabalho
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Uma das falas que mais me marcou, aliás, foi a da Gabriela Prioli. Ela contou quantas camadas de proteção precisou criar para preservar um hábito que considera indispensável para o seu trabalho: a leitura. Isso porque hoje existe uma disputa permanente pela nossa atenção. Essa disputa, afinal, faz parte do modelo de negócio das plataformas digitais, que competem diariamente por cada minuto da nossa capacidade de concentração.
Quando olhamos para isso apenas como um problema individual, perdemos uma parte importante da discussão. Por outro lado, quando olhamos como líderes, percebemos outra consequência.
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O reflexo da distração coletiva nas decisões de liderança
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Nas organizações, as pessoas estão perdendo capacidade de concentração, pensamento crítico e presença. E o prejuízo disso é coletivo. As decisões ficam mais superficiais, as conversas tornam-se mais rasas, a colaboração perde qualidade.
Saí do evento profundamente provocado. Mas, acima de tudo, com a convicção reforçada de que ampliar a consciência humana continua sendo uma das missões mais importantes do nosso tempo.
Um chamado à observação e presença nas organizações
E deixo um convite à observação. Repare, ao longo dos próximos dias, quais distrações têm ocupado sua mente e reduzido sua capacidade de atenção, de pensamento profundo e de presença. Se queremos que a próxima revolução seja verdadeiramente humana, talvez esse seja um dos primeiros lugares por onde ela precise começar.
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Publicado originalmente em: https://rhpravoce.com.br/colab/lideranca-consciente